Christoph Willibald Ritter von Gluck nasceu em Erasbach, alto Palatinado (alemanha), a 2 de julho de 1714. Originário de gente humilde da Boêmia, mas destinado a uma vida de estudos, adquiriu sólida formação humanística. Abandonou, porém, essa carreira para dedicar-se à arte, no início, como músico popular. Recebeu suas primeiras instruções musicais em um colégio jesuítico de Komotau.

Acompanhou o pai em viagens pela Europa Central: em 1732 foi para Praga completar sua educação e ali aprendeu o estilo italiano de canto com o compositor tcheco Cernohorsky. Em 1736 deixou Praga por Viena. Tendo encontrado mecenas aristocráticos, viajou para a Milão, onde completou sua instrução musical com Sammartini, e teve grande sucesso como compositor de óperas ao gosto da época. Ali, sua primeira ópera, artaxerxes, trouxe-lhe grande renome, sendo então convidado por várias cidades italianas.

Em 1745 transferiu-se para Londres, como compositor de óperas de Haymarket. Lá conheceu Händel e estreou a queda dos gigantes, além de outras óperas, que foram produzidas sem sucesso. Deixando Londres, Gluck viajou com duas companhias operísticas por várias cidades européias, tendo Viena como seu centro de referência. Nessa cidade fixou-se como diretor de ópera em 1755. Alcançou seus maiores sucessos na inovação da ópera com Orfeo e Euridice (1762) e alceste (1767).

Em 1773 decidiu fixar-se em Paris, onde, após uma resistência inicial do Teatro da Ópera, obteve grandes triunfos, conseguindo o apoio de Maria antonieta, que tomou o seu partido na querela da ópera francesa versus ópera italiana, Gluck versus Piccinni. Seus últimos anos foram vividos em Viena: Gluck morreu a 15 de novembro de 1787.

à parte o seu valor musical íntimo, a obra de Gluck é de enorme importância histórica. Com ela a ópera se renova radicalmente, saindo do âmbito estreito da ópera como pretexto para o bel canto exibicionista. Com a sua reforma Gluck criou um novo conceito de ópera, em que a música tem que corresponder à verdade de um texto dramático. No seu prefácio a alceste, que pode ser considerado como o manifesto de uma nova arte, Gluck exprime as suas idéias do dramma per musica: a música a serviço da poesia dramática; a continuidade da ação sem ornamentos inúteis e supérfluos; o acompanhamento proporcional à intensidade dos recitativos, etc. Gluck termina por assinalar a simplicidade, a verdade e a naturalidade como três grandes princípios do drama musical., ‘da beleza em todas as manifestações artísticas’.

A reforma de Gluck foi portanto uma redução de elementos na ópera, dos arabescos virtuosísticos, e ao mesmo tempo a intensificação dos sentimentos dramáticos. O próprio compositor atribuiu ao libretista Ranieri Calzabigi participação considerável nessa reforma, em que a verdade da música deveria estar rigorosamente inter-relacionada com a verdade dramática do texto.

Gluck realizou profunda reforma na ópera italiana: eliminação da ária da capo e do cravo para acompanhar os recitativos; integração do bailado na ação dramática; escolha de assuntos inspirados na Grécia antiga; declamação sóbria, natural, tocante; destaque da abertura e dos coros. Gluck é em certo sentido, pela estilização da antigüidade greco-romana, o último compositor barroco. Mas já pertence, pela inspiração melódica e pelo tratamento de orquestra, ao Classicismo vienense.

Passando o fim da vida em Viena, não chegou a realizar seus planos de escrever uma ópera ou um drama musical caracteristicamente alemão. A arte de Gluck foi, sobretudo em Paris, vivamente discutida, causando verdadeira guerra entre os críticos e os literatos. Até hoje, as opiniões divergem. Gluck já não é considerado, como no século XIX, o precursor de Wagner, salientando-se o traço barroco de seu Classicismo.

à parte o seu valor musical intrínseco, a obra de Gluck é de enorme importância histórica. Com ela a ópera se renova radicalmente, saindo do âmbito estreito da ópera como pretexto para o bel canto exibicionista. Com a sua reforma Gluck criou um novo conceito de ópera, em que a música tem que corresponder à verdade de um texto dramático.

No seu prefácio a alceste, que pode ser considerado como o manifesto de uma nova arte, Gluck exprime as suas idéias do dramma per musica: a música a serviço da poesia dramática, a continuidade da ação sem ornamentos inúteis e supérfluos, o acompanhamento proporcional à intensidade dos recitativos, etc. Gluck termina por assinalar a simplicidade, a verdade e a naturalidade como três grandes princípios do drama musical, da "beleza em todas as suas manifestações artísticas".

A reforma de Gluck foi portanto uma redução de elementos na ópera, dos arabescos virtuosísticos, e ao mesmo tempo a intensificação dos sentimentos dramáticos. O próprio compositor atribuiu ao libretista Ranieri Calzabigi participação considerável nessa reforma, em que a verdade da música deveria estar rigorosamente inter-relacionada com a verdade dramática do texto.

Gluck foi compositor essencialmente dramático. Ao lado de várias dezenas de óperas, escreveu ainda para palco quatro balés. Sua obra instrumental reduz-se a seis sonatas para dois violinos e contínuo, hoje esquecidas, além de nove aberturas sinfônicas. Escreveu também música vocal sobre odes de Klopstock e obras para coro e orquestra, que não sobreviveram no repertório.

É como compositor de óperas que Gluck sobrevive. Mas as numerosas obras de sua primeira fase estão hoje também esquecidas e só algumas delas são citadas por motivos históricos. Na maior parte, essas óperas são baseadas em libretos de Pietro Metastasio, que se caracterizavam por intrigas muito complicadas. Não correspondiam, por isso, ao ideal de simplificação e intensidade dramática que Gluck perseguiu depois. Essa identidade entre texto e música só foi possível com a colaboração de Ranieri Calzabigi, que professava concepção dramática oposta à de Metastasio.

A primeira ópera de Gluck-Calzabigi foi Orfeo e Euridice. Essa obra ainda apresenta traços da concepção tradicional, sobretudo nas árias. Mas apresenta também inovações, como a substituição do recitativo secco pelo recitativo acompanhado. A íntima adesão da música à ação criou, nessa obra, um efeito de grandiosidade dramática.

As concessões de Orfeo e Euridice foram superadas em alceste, a segunda ópera Gluck-Calzabigi, de música muito mais severa e de proporções dramáticas ainda maiores, embora de estrutura menos coerente. Os grandes coros solenes conferem a alceste o aspecto de um oratório profano.

Entre Orfeo e Euridice e alceste, Gluck ainda colaborou com Metastasio e outros tradicionalistas. Não se julgava seguro de suas idéias. Essas só foram aplicadas sistematicamente quando o compositor se mudou para Paris. Antes, sua terceira produção com Calzabigi, Paride e Elena (1770), tinha sido um fracasso em Viena.

Em Paris, foi sucesso absoluto Ifigênia em áulis (1774), com libreto de Du Roullet sobre a tragédia homônima de Racine. Transpondo em música a nobreza poética de Racine, Gluck atingiu a perfeição melódica das árias, réplicas e coros. A grande abertura sinfônica dessa ópera tornou-se uma das peças mais conhecidas de Gluck.

Ifigênia em áulis acendeu a querela entre os gluckistas e os piccinnistas, reavivada com armida (1777), com libreto antigo de Philippe Quinault. Essa ópera, contrastando o idílio bucólico e o conflito dramático, foi, depois, a preferida de E.T.a.Hoffmann e da época romântica. Nela, as árias e recitativos se unificam em função do drama.

Mas foi com Ifigênia em Táuris (1779), com libreto de François Guillard sobre a tragédia homônima de Eurípedes, que Gluck alcançou o seu maior triunfo na França. Nela, enfim, alcançou a fusão perfeita entre os elementos musicais e dramáticos. É julgada a mais pura de suas óperas, transformando em calma e serenidade o trágico de sua música dramática.

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