Robert alexander Schumann nasceu em Zwickau, Saxônia, a 8 de junho de 1810. O pai era livreiro-editor, e a mãe, inteligente e culta, mas ambos sempre revelaram equilíbrio emocional precário. Menino prodígio como pianista (aos seis anos já compunha), também adquiriu notável cultura literária, admirando o romantismo de Byron e Jean Paul. Em 1820, matriculou-se no ginásio de sua cidade natal, terminando o curso em 1828, quando ingressou na universidade de Leipzig, para estudar direito e filosofia.

Tomou aulas de piano com o famoso pedagogo Friedrich Wieck, em Leipzig. A partir de 1828, passou a dedicar-se completamente à música, tornando-se virtuose. Transferiu-se em 1829, para Heildelberg, iniciando um curso intensivo de música, chegando ao ponto de estudar piano sete horas consecutivas.

Em 1830, deu seu primeiro concerto público, sendo muito aplaudido. Até que em 1832, uma deformação incurável de um dedo terminou sua carreira pianística. Mas não abandonou a literatura e prosseguiu com suas composições. Apaixonou-se por Clara Wieck, a jovem filha do seu mestre e já grande pianista, encontrando porém a resistência tenaz do pai dela.

Fundou (1834) a Nova revista de música, que em breve se tornou porta-voz de todos os esforços musicais sérios na alemanha. Por essa época, escreveu e publicou algumas críticas, assinadas com os pseudônimos de três personagens: ‘Florestan’ o enérgico, ‘Eusebius’ o sonhador, e ‘Meister Raro’, o moderador.

Depois de cinco anos, ambos lutando para obter o consentimento do pai da noiva, Schumann casou-se com Clara (1840). O casamento foi dos mais felizes que se conheceu no mundo das artes. Mas já apareceram os primeiros sintomas de perturbação mental de Schumann. Convidado por Mendelssohn, foi algum tempo professor no conservatório de Leipzig e depois, em 1850 foi nomeado regente de orquestra em Düsseldorf.

Mais tarde fez uma turnê pela Rússia e, quando retornou, sua saúde delicada, perdia-se pouco a pouco numa neurastenia crescente. Fez em 1854 uma tentativa de suicídio e foi, a seu próprio pedido, internado numa clínica de doença mental em Endenich, perto de Bonn, onde morreu a 29 de julho de 1856.

Caracterização - Enquanto a obra de Schubert e Mendelssohn ainda pertence, pelo menos parcialmente, ao mundo do Classicismo vienense, é Schumann o maior compositor do Romantismo alemão e, talvez, o maior romântico alemão, realizando na música aquilo que na literatura não tinham conseguido realizar os poetas. É certo que há na arte de Schumann um elemento idílico, que talvez possa ser caracterizado como pequeno-burguês. Mas é mais forte, em sua obra, o lado noturno do Romantismo, o pessimismo profundo, influenciado por Byron, e os pressentimentos permanentes do fim na loucura. Seus escritores preferidos eram, caracteristicamente, o idílico Jean Paul e o fantástico E.T.a.Hoffmann.

Obra pianística - a criação artística de Schumann realizou-se eruptivamente. Muitas obras de valor em curto tempo, seguidas de intervalos, de produção menos importante. Em menos de três anos criou o compositor suas melhores obras pianísticas, altamente românticas e poéticas, só comparáveis às de Chopin.

Carnaval (1835) é uma seqüência de cenas curtas, muito sugestivas, de grande encanto. Peças fantásticas (1837) é a mais romântica de todas as obras de Schumann. Uma das peças é a famosa Elevação. Os Estudos sinfônicos (1837) são, entre as obras pianísticas de Schumann, as mais difíceis, mas também as mais elaboradas, em forma de variações. Cenas da infância (1838) são as peças mais poéticas do compositor, e nos Kreisleriana ele antecipa surpreendentemente a música moderna.

Lieder - Dos numerosos lieder de Schumann, os mais valiosos foram escritos, todos eles, no ano de 1840. Abre com o ciclo de Canções de Heine, seguido de amor de poeta, outro ciclo sobre textos de Heine e que são os lieder mais divulgados e mais queridos do compositor. O volume Mirtos começa com a famosa Dedicatória a Clara Schumann. amor e vida de mulher é ciclo algo prejudicado pelo sentimentalismo.

O ponto mais alto é o ciclo de Canções de Eichendorff, os mais belos lieder românticos, depois de Schubert. Do mesmo ano de 1840 também é a balada Os dois granadeiros, texto de Heine, em que Schumann introduz no fim a Marselhesa.

Música e poesia - Schumann foi excelente crítico de música. É verdade que seu estilo é poético demais para o gosto moderno e que ele elogiou muitas mediocridades, por simpatia pessoal. Mas foi severo contra Rossini e Meyerbeer, reconheceu o valor de Mendelssohn, descobriu as obras inéditas de Schubert, saudou devidamente Chopin e adivinhou o gênio de Brahms.

Schumann foi escritor notável, poeta em prosa. Sua música também parece literária. Os títulos das pequenas peças são genialmente escolhidos, mas só foram inventados depois da melodia. Schumann não fez música de programa. Sua poesia musical é cheia de frescor - e de melancolia profunda. Como inventor de belíssimas melodias pode ser comparado a Mozart.

Schumann sempre preferiu as formas pequenas (peças pianísticas, lied) sem estrutura arquitetônica, que foi seu lado fraco. Mas certas de suas obras maiores são de alto valor. Das suas 4 sinfonias, a Sinfonia n.º 1 - Primavera (1841) é de encantadora frescura juvenil, e a Sinfonia n.º 4 em ré menor (1851), de grandeza beethoveniana. O Quinteto para piano em mi bemol maior (1842) é de beleza extraordinária, a mais bela obra de música de câmara entre Schubert e Brahms. O Concerto para piano em lá menor (1845) é a obra mais lírica nesse gênero.

Última fase - Durante os seis últimos anos de sua carreira musical escreveu Schumann, febrilmente, um número muito grande de obras, nem todas elas inspiradas e algumas francamente inferiores, já marcadas pela doença. Mas, além da Sinfonia n.º 4, é notável a sombria abertura para Manfredo (1849), de Byron, a obra sinfônica mais noturnamente romântica do compositor. E a obra coral Cenas de Fausto (1849-1850), de Goethe encontra modernamente muitos admiradores.

Influência - Schumann não foi devidamente reconhecido em vida. Só depois da morte tornou-se um dos compositores mais queridos do público. Mas os músicos Brahms e Wagner, enveredaram por caminhos diferentes. Schumann não exerceu grande influência na música alemã, mas muito mais no estrangeiro: Franck, Borodin, Dvorak e Grieg são testemunhos disso.

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