Johannes Brahms nasceu em Hamburgo (alemanha) em 7 de maio de 1833. De origem humilde, era filho de Johann Jacob Brahms (1807-1872), um contrabaixista de orquestras populares e de Johanna Henrika Nissen (1790-1865). Com dez anos de idade já executava concertos musicais, revelando-se ao público como pianista prodígio. Passou a mocidade em extrema pobreza, tocando para comer, em tavernas de marujos.

Estudou seriamente a arte musical com o mestre Marxsen, defensor fervoroso dos clássicos. Fez uma primeira turnê como acompanhante do grande violinista húngaro Joseph Joachim: visitou Liszt em Weimar e, em 1853, em Düsseldorf, conheceu Clara e Robert Schumann. Brahms entregou algumas composições a Schumann, que ficou entusiasmado, apresentando o jovem de vinte anos ao público como grande esperança da música alemã. Apaixonou-se por Clara e tornou-se amigo íntimo do casal, mas não se casou com ela depois da morte de Schumann (1856).

Brahms encarregou-se da responsabilidade de defender a arte de Haydn, Mozart e Beethoven contra as novas tendências representadas por Liszt e Wagner: a música absoluta contra a música de programa e o drama musical. Não dispondo do talento literário de Wagner, Brahms não venceu. Mas conquistou, graças ao apoio do crítico Eduard Hanslick, o favor dos conservadores, que, na alemanha e na Inglaterra, muito o honraram. Foi músico residente do príncipe Detmold (1857), e tentou em vão obter a regência dos Concertos Filarmônicos de Hamburgo.

Em 1863 fixou residência em Viena, cuja vida musical dominou durante trinta anos, levando vida pacata de solteirão e burguês abastado. Tornou-se diretor de associações musicais: academia de Canto (1863) e associação dos amigos da Música (1872).

A primeira audição completa de Um Requiem alemão, em Brema (1868), sob direção do próprio compositor, na presença de Joachim e Clara Schumann, foi provavelmente o maior triunfo de sua carreira. A vida tranqüila em Viena consagrava quase toda a sua atividade à composição, só sendo interrompida por curtas viagens à alemanha ou Suíça, com fins profissionais ou turísticos.

Universalmente célebre, suas obras eram discutidas em Viena por Hanslick e seus partidários que o contrapuseram aos wagnerianos e a Bruckner, numa absurda rivalidade que Brahms nunca desejou. Apesar de seu aspecto brutal, o músico era um homem sensível, lógico e liberal. Após uma vida inteira de saúde robusta, Brahms morreu em Viena, em 3 de abril de 1897, aos sessenta e quatro anos, vítima de um cancro no fígado. No funeral, o seu editor Simrock e o compositor Dvorak seguraram as fitas da mortalha.

Estilo - Brahms foi o último dos grandes compositores que deixaram obra imensa. Com exceção da música sacra e da ópera, cultivou todos os gêneros, sobretudo a música instrumental, sem quaisquer associações literárias. Contemporâneo de Wagner e tendo ainda assistido aos inícios de Mahler e Debussy, é Brahms um ortodoxo da música absolutista, mantendo-se dentro dos limites do desenvolvimento temático de Beethoven. Foi, por isso, chamado de formalista, cuja música seria incapaz de sugerir emoções mais fortes. É nesse sentido que Nietzsche e os críticos wagnerianos franceses lhe condenaram a arte.

Na verdade, hoje geralmente reconhecida, é Brahms um romântico que conseguiu dominar a sua emocionalidade pela adoção das formas severas do classicismo vienense, do qual ele é o último grande representante. Mas, embora passando a vida em Viena, sempre ficou fiel às suas origens: é homem nórdico (o maior compositor do norte alemão) e a melancolia sombria do folclore de sua terra sempre está presente em sua obra.

Evolução - Partindo do romantismo de Schumann, Brahms submeteu-se à disciplina da arte de Beethoven. Mais tarde seu ideal artístico foi a síntese desse classicismo beethoveniano e da polifonia de J.S.Bach. Chegou a destruir grande parte das obras românticas da mocidade, de modo que a sua primeira obra plenamente realizada é o Concerto para piano n.º 1 em ré menor (1854), ainda muito tempestuoso, embora já tenha sido mais clássica a Sonata para piano em fá menor Op. 5 (1852), talvez a mais importante sonata para piano escrita depois de Beethoven.

O romantismo e o folclore nórdico ainda se sentem no Quarteto para piano em fá menor Op. 34 (1864), talvez a mais impressionante obra de música de câmara do compositor, e em numerosos lieder, gêneros de que Brahms foi mestre: Do amor para sempre (1868), Solidão no campo, Noite em maio (1868), No cemitério (1886) e muitos outros. Já liberta de romantismo apresenta-se a maior obra coral do compositor, Um Réquiem alemão (1857), obra inspirada mais em J.S.Bach que em Händel. Da mesma seriedade profunda é a Rapsódia (1869) para contralto, coro e orquestra, cuja letra é um poema de Goethe.

Sinfonias e concertos - Brahms hesitou muito antes de tentar escrever uma sinfonia. Preparou o terreno da arte orquestral com as Variações sobre um tema de Haydn (1873), em que encerrou com surpreendentes artes contrapontísticas. Veio, depois, a Sinfonia n.º 1 em dó menor (1876), que Hans von Bülow considerava digna de ser chamada "a décima de Beethoven". Foi seguida pela Sinfonia n.º 2 em ré maior (1877) e Sinfonia n.º 3 em fá maior (1883). Grandes sinfonias em que se destaca um instrumento solista também são o Concerto para violino em ré maior Op. 77 (1878) e o Concerto para piano n.º 2 em si bemol maior (1881).

Música de câmara - De riqueza extraordinária é a música de câmara de Brahms. As Sonatas para piano e violino (3), de grande encanto melódico, já bastaram para desmentir a lenda do formalismo seco do mestre. Mais austeros são, porém, os trios e os quartetos e, sobretudo, os grandes Quinteto para cordas em fá maior (1882) e Quinteto para cordas em sol maior (1890).

Piano e últimas obras - Muito diferente é a obra pianística de Brahms. Não escreveu mais sonatas, depois daquela Op. 5. Voltou ao piano só nos últimos anos de vida, com dois cadernos de Fantasias (1891-1892) e os Intermezzos (3) (1892), que são de um romantismo fantástico. O mesmo estado de alma também domina um dos movimentos do Quinteto para clarineta em si menor (1892), uma das maiores obras de Brahms. Mas só esse movimento, pois os outros pertencem à última fase do mestre, que é severamente bachiana. São desse estilo a Sinfonia n.º 4 em mi menor (1885), que termina com uma grandiosa ciaccona (ou passacaglia) e Quatro canções sérias (1896), sobre versículos bíblicos, de um pessimismo sombrio.

O pessimismo de Brahms, menos filosófico mas mais intransigente que o de Wagner, o folclorismo do mestre e o inconfundível fundo romântico de sua forma severa bastam para desmentir a interpretação errada de sua arte como burguesa. No entanto, depois da morte de Brahms, essa opinião errônea prevaleceu, principalmente graças ao wagnerismo da crítica musical francesa. Durante muitos anos foi a música de Brahms recusada pelo público (menos na Inglaterra). Mas, nos últimos decênios, sua arte venceu. Brahms é hoje um dos compositores mais executado nos concertos, e isso no mundo inteiro. Esse fato é de grande importância: pois se trata de um caso de arte extremamente séria, sem concessões ao público, e já se disse que a popularidade (ou não) da música de Brahms é um índice da capacidade de sobrevivência da civilização.

Bozza - Minha coleção
 



Complementos
Concerto para piano n.º 2 Op. 83
Peças para piano Op. 119
Concerto duplo para violino e violoncelo em lá menor Op. 102